sábado, 6 de abril de 2013


* Quando sentiu que estava morrendo, meu
avô Celestino chamou a mulher e pediu-lhe:
- Deixa-me fitar teus olhos!
E ficou, embevecido, como se a sua alma
fosse um barco deitado num mar que eram 
os olhos de sua amada.
- Tens frio?, perguntou ela vendo-o tremer.
- Não. És tu que estás a chorar.
- Chorar, eu? Começou foi a chover.*

(lembrança da minha avó sobre o último instante do velho Celestino)

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