Este
ano escolhi fazer a Passagem do Ano ao ar livre. Fazer uma travessia no meu
túnel de forma sentida...
Não
programei nada de especial para fazer. Apenas quis estar presente para SENTIR.
TUDO... olhar o mundo à minha volta e sentir o que estava dentro de
mim.
Ao
entrar nesse túnel, como não tinha a Sandra para me segredar algo ao ouvido,
utilizei aqui a Nanda, que me disse:
-
Segue em frente! DÁ o OK a tudo aquilo
que sentires... sente a VIDA dentro de ti a viver-se, com toda a inteireza e dualidade...
Estava disposta a estar presente para mim, não ser diferente
daquilo que sou!
EU QUERO SER ASSIM...
Na
mochila levava apenas um copo para beber o champanhe à meia-noite e umas broas
de Sintra...
Estava
aberta a percorrer uma chuva de emoções nesse túnel.
Comecei
com alegria e
entusismo por estar a fazer algo que queria, novo e diferente...
fui-me
integrando naquela multidão de gente e mais gente...
Encontrei
o medo
por não me sentir segura, poder ser esmagada, quando não tinha quase espaço para
me mexer, de perder o que trazia nas mãos...
Depois
a confusão
ao observar as pessoas, que se deslocavam de um lado para o outro, como
que à procura de um lugar seguro para ficar...
A
desordem no caminhar sem rumo... parecíamos formigas a andar apressadamente,
em carreiros desorganizados...
A
calma, de
não controlar nada, apenas estar ali e desfrutar de tudo o que se
passava ao meu redor... e tudo era OK!
A
alegira de menina ao ver o céu em fogo, as cores ao vivo, o rio
tranquilo e iluminado... a beleza, a paz e magia...
A
afetividade das pessoas para quem olhava sem
me fixar, o sorriso momentâneo, pequenas trocas de palavras...
O caos e sujidade no
chão, refletidos também dentro de mim...
Andei
por ruas e lugares desconhecidos, ruas
direitas e tortas, altas e baixas, sentei-me aqui e acolá para descansar, MOSTRANDO-ME
como era e saboreando o que via ao meu redor... aquele que deambulava, aquele
que ria, que falava, que gritava...
A
tranquilidade, quando caminhava, ao observar
as casas com luzes acesas e montras bem
decoradas, a simpatia das pessoas quando trocávamos desejos de um bom ano novo,
a bondade do tempo atmosférico, das pessoas e das
árvores erguidas, à beira da estrada, despidas de enfeites, mas ainda assim
muito belas.
Tudo o que estava a ver e a sentir mostrava-me
o meu mundo, como luzes intensas e frouxas, alternadamente...
Estava
a percorrer um túnel de mim, deixando estar tudo como era, sem contrariar nada!
No
fim, fui acolhida num espaço com uma grande paz, quando entrei no jardim do Parque Eduardo
VII, ao ouvir o chilrear de pássaros nas árvores, ao ver um melro a saltitar na relva, de madrugada e
ao respirar aquela atmosfera morna de verão.
Naquele
momento, de braços abertos e erguida queria apenas uma coisa!
O
MELHOR PARA MIM, em cada momemto!
01 de janeiro de 2015