quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

a travessia do túnel



Este ano escolhi fazer a Passagem do Ano ao ar livre. Fazer uma travessia no meu túnel de forma sentida...

Não programei nada de especial para fazer. Apenas quis estar presente para SENTIR. TUDO... olhar o mundo à  minha volta e sentir o que estava dentro de mim.

Ao entrar nesse túnel, como não tinha a Sandra para me segredar algo ao ouvido, utilizei aqui a Nanda, que me disse:
- Segue em frente! DÁ o  OK a tudo aquilo que sentires... sente a VIDA dentro de ti a viver-se, com toda a inteireza e dualidade...

Estava disposta a estar presente para mim, não ser diferente daquilo que sou!

EU QUERO SER ASSIM...

Na mochila levava apenas um copo para beber o champanhe à meia-noite e umas broas de Sintra...

Estava aberta a percorrer uma chuva de emoções nesse túnel.

Comecei com alegria e entusismo por estar a fazer algo que queria, novo e diferente...
fui-me integrando naquela multidão de gente e mais gente...

Encontrei o  medo por não me sentir segura, poder ser esmagada, quando não tinha quase espaço para me mexer, de perder o que trazia nas mãos...

Depois a confusão  ao observar as pessoas, que se deslocavam de um lado para o outro, como que à procura de um lugar seguro para ficar...

A desordem no caminhar sem rumo...  parecíamos formigas a andar apressadamente, em carreiros desorganizados...

A calma,   de não controlar nada,   apenas estar ali e desfrutar de tudo o que se passava ao meu redor... e tudo era OK!

A alegira de menina ao ver o  céu em fogo, as cores ao vivo, o rio tranquilo e iluminado... a beleza, a paz e magia...

A afetividade das pessoas para quem olhava sem me fixar, o sorriso momentâneo, pequenas trocas de palavras...

O caos e sujidade no chão, refletidos também dentro de mim...

Andei por ruas e lugares desconhecidos,  ruas direitas e tortas, altas e baixas, sentei-me aqui e acolá para descansar, MOSTRANDO-ME como era e saboreando o que via ao meu redor... aquele que deambulava, aquele que ria, que falava, que gritava...

A tranquilidade, quando caminhava, ao observar as casas com luzes acesas e  montras bem decoradas, a simpatia das pessoas quando trocávamos desejos de um bom ano novo, a bondade  do tempo atmosférico, das pessoas e das árvores erguidas, à beira da estrada, despidas de enfeites, mas ainda assim muito belas.

 Tudo o que estava a ver e a sentir mostrava-me o meu mundo, como luzes intensas e frouxas, alternadamente...

Estava a percorrer um túnel de mim, deixando estar tudo como era, sem contrariar nada!

No fim, fui acolhida num espaço com  uma grande paz, quando entrei no jardim do Parque Eduardo VII, ao ouvir o chilrear de pássaros nas árvores, ao ver  um melro a saltitar na relva, de madrugada e ao respirar aquela atmosfera morna de verão.

Naquele momento, de braços abertos e erguida queria apenas uma coisa!


O MELHOR PARA MIM, em cada momemto!






01 de janeiro de 2015

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