sábado, 26 de novembro de 2016

terça-feira, 5 de julho de 2016




Procuro despir-me do que aprendi, 
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me 
ensinaram, 
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, 
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras, 
Desembrulhar-me e ser eu.

Alberto Caeiro



sábado, 25 de junho de 2016

agora, eu sou livre !









" E de dentro se libertam "



No ventre da humanidade 

Uma salva de sentidos e poetas

Que embarca pelos rios da saudade
E traz a luz de parte incerta 

Vem pelo amor da consciência 
Abraçar os filhos amarrados 
Mãe minha mãe eles gritam 
E de dentro se libertam 

António Venâncio





terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

disfruta o prazer

no cheiro...


               na beleza...

                             
                                       no amor...







domingo, 14 de fevereiro de 2016

às vezes o amor...

(---)

Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas

(---)


E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino

(---)


Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P´ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços


(---)

Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida

Sérgio Godinho

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

a criança que fui


“A criança que fui chora na estrada

Deixei-a ali quando vim ser quem sou
Mas hoje, vendo que o que sou é nada
Quero ir buscar quem fui, onde ficou.”
(Fernando Pessoa)


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

serenidade

A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte. 

O poeta que celebra, na dança dos seus versos, as magnificências e os terrores da vida, o músico que lhes dá os tons de duma pura presença, trazem-nos a luz; aumentam a alegria e a clareza sobre a Terra, mesmo se primeiro nos fazem passar por lágrimas e emoções dolorosas. Talvez o poeta cujos versos nos encantam tenha sido um triste solitário, e o músico um sonhador melancólico: isso não impede que as suas obras participem da serenidade dos deuses e das estrelas. O que eles nos dão, não são mais as suas trevas, a sua dor ou o seu medo, é uma gota de luz pura, de eterna serenidade. Mesmo quando povos inteiros, línguas inteiras, procuram explorar as profundezas cósmicas em mitos, cosmogonias, religiões, o último e supremo termo que poderão atingir é essa serenidade. 

Hermann Hesse, in 'O Jogo das Contas de Vidro' 

tudo dentro de mim


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

a travessia do túnel



Este ano escolhi fazer a Passagem do Ano ao ar livre. Fazer uma travessia no meu túnel de forma sentida...

Não programei nada de especial para fazer. Apenas quis estar presente para SENTIR. TUDO... olhar o mundo à  minha volta e sentir o que estava dentro de mim.

Ao entrar nesse túnel, como não tinha a Sandra para me segredar algo ao ouvido, utilizei aqui a Nanda, que me disse:
- Segue em frente! DÁ o  OK a tudo aquilo que sentires... sente a VIDA dentro de ti a viver-se, com toda a inteireza e dualidade...

Estava disposta a estar presente para mim, não ser diferente daquilo que sou!

EU QUERO SER ASSIM...

Na mochila levava apenas um copo para beber o champanhe à meia-noite e umas broas de Sintra...

Estava aberta a percorrer uma chuva de emoções nesse túnel.

Comecei com alegria e entusismo por estar a fazer algo que queria, novo e diferente...
fui-me integrando naquela multidão de gente e mais gente...

Encontrei o  medo por não me sentir segura, poder ser esmagada, quando não tinha quase espaço para me mexer, de perder o que trazia nas mãos...

Depois a confusão  ao observar as pessoas, que se deslocavam de um lado para o outro, como que à procura de um lugar seguro para ficar...

A desordem no caminhar sem rumo...  parecíamos formigas a andar apressadamente, em carreiros desorganizados...

A calma,   de não controlar nada,   apenas estar ali e desfrutar de tudo o que se passava ao meu redor... e tudo era OK!

A alegira de menina ao ver o  céu em fogo, as cores ao vivo, o rio tranquilo e iluminado... a beleza, a paz e magia...

A afetividade das pessoas para quem olhava sem me fixar, o sorriso momentâneo, pequenas trocas de palavras...

O caos e sujidade no chão, refletidos também dentro de mim...

Andei por ruas e lugares desconhecidos,  ruas direitas e tortas, altas e baixas, sentei-me aqui e acolá para descansar, MOSTRANDO-ME como era e saboreando o que via ao meu redor... aquele que deambulava, aquele que ria, que falava, que gritava...

A tranquilidade, quando caminhava, ao observar as casas com luzes acesas e  montras bem decoradas, a simpatia das pessoas quando trocávamos desejos de um bom ano novo, a bondade  do tempo atmosférico, das pessoas e das árvores erguidas, à beira da estrada, despidas de enfeites, mas ainda assim muito belas.

 Tudo o que estava a ver e a sentir mostrava-me o meu mundo, como luzes intensas e frouxas, alternadamente...

Estava a percorrer um túnel de mim, deixando estar tudo como era, sem contrariar nada!

No fim, fui acolhida num espaço com  uma grande paz, quando entrei no jardim do Parque Eduardo VII, ao ouvir o chilrear de pássaros nas árvores, ao ver  um melro a saltitar na relva, de madrugada e ao respirar aquela atmosfera morna de verão.

Naquele momento, de braços abertos e erguida queria apenas uma coisa!


O MELHOR PARA MIM, em cada momemto!






01 de janeiro de 2015